Guerra EUA e Israel x Irã
Demandas incluem suspensão do bloqueio naval, fim das sanções contra Teerã e retirada das tropas estadunidenses; guerra é rechaçada por 88% dos norte-americanos
Entre os pontos listados por Teerã estão o fim do bloqueio naval e das sanções impostas pelos norte-americanos, a saída de tropas dos EUA de áreas próximas ao território iraniano, indenizações pelos danos da guerra, o descongelamento de recursos financeiros do país e a interrupção tanto das ofensivas contra aliados regionais do Irã quanto das ameaças dirigidas ao próprio Estado iraniano.
A postura de Washington até aqui indica pouca margem para concessões nesses termos. Dias antes, Trump havia colocado o dilema em campo binário de “acordo” ou “rendição total”, reiterando que a suspensão do cerco naval segue atrelada a uma negociação formal com os iranianos.
Mais cedo, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos de manterem uma “mentalidade genocida” oito décadas após os ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki, no Japão.
Também já havia sinalização de que os ativos bloqueados só seriam liberados caso Teerã abrisse mão de seu estoque de urânio enriquecido.
Horas antes da divulgação da lista, o chanceler iraniano Abbas Araqchi chegou a declarar que seu país e o Omã estavam “muito perto” de fechar um entendimento para uma nova rota de navegação pelo Estreito.
Na sexta-feira (07/08), uma fonte do governo norte-americano havia dito à Reuters que as negociações mediadas por Omã avançavam, e que o levantamento do bloqueio aos portos iranianos ocorreria assim que um acerto sobre o tráfego comercial fosse formalizado.
As novas condições, no entanto, esfriam a perspectiva do mercado de uma reabertura rápida do canal, que opera de forma restrita desde fevereiro, quando a guerra começou.
A limitação na circulação de navios pelo Estreito segue como um dos principais fatores de pressão sobre o preço internacional do petróleo, o que tem gerado desgastes internos para a administração Trump.
Maioria de 88% avalia guerra com o Irã como fracasso
Enquanto a diplomacia em torno do Estreito de Ormuz ainda não produziu resultados definitivos, uma pesquisa da Universidade Marquette mostra que a rejeição da população norte-americana ao conflito com o Irã se mantém elevada.
Segundo o levantamento, 88% dos entrevistados consideram que Washington não atingiu seus objetivos na guerra, e 75% avaliam que o confronto não valeu os custos impostos ao país. Apenas 12% acham que os EUA alcançaram suas metas, ante 21% em abril.
O desgaste ocorre em contraste com o discurso de campanha de Trump, eleito em 2024 sob a promessa de manter os EUA fora de novos conflitos armados.
Fonte: Opera Mundi


